O livro didático do segundo ano traz como tema de aprendizagem e discussão a globalização. Dentre os subtemas que tocamos nas discussões estão tecnologia, mercado de trabalho, mão de obra escrava, "aldeia global", consumismo, impactos no meio ambiente ou questões ambientais, dentre outros.
Há pouco tempo, soube que um site de que eu gosto muito de comprar livros online utiliza mão de obra escrava e fiquei muito decepcionada, porque em praticamente quase dez anos de consumidora do site nunca tive o que reclamar, dada a sua eficiência no processo de vendas e entregas, inclusive internacionais. É fácil, rápido e prático, economizando tempo e trabalho de ir à livraria e achar o título. Falo da Amazon.com e Amazon.com.br . Ao saber sobre empresas que utilizam trabalho escravo, eu tento não incentivá-lo, desistindo de ser cliente delas.
Hoje, ao buscar um título que me interessa, busquei o preço no site da Amazon apenas para comparar com as livrarias concorrentes e qual foi a minha surpresa, quando, no próprio site da Amazon, ao clicar no link da autora do livro - Rebecca Solnit, li o seguinte:
She encourages you to shop at Indiebound, your local independent bookstore, Powells.com, Barnes & Noble online and kind of has some large problems with how Amazon operates these days. Though she's grateful if you're buying her books here or anywhere....About Rebecca Solnit
Writer, historian, and activist Rebecca Solnit is the author of seventeen books about environment, landscape, community, art, politics, hope, and memory, including the updated and reissued Hope in the Dark, three atlases, of San Francisco in 2010, New Orleans in 2013, and New York forthcoming in October; 2014's Men Explain Things to Me; 2013's The Faraway Nearby; A Paradise Built in Hell: The Extraordinary Communities that Arise in Disaster; A Field Guide to Getting Lost; Wanderlust: A History of Walking; and River of Shadows, Eadweard Muybridge and the Technological Wild West (for which she received a Guggenheim, the National Book Critics Circle Award in criticism, and the Lannan Literary Award). A product of the California public education system from kindergarten to graduate school, she is a columnist at Harper's and frequent contributor to the Guardian newspaper.
( From: https://www.amazon.com/Rebecca-Solnit/e/B001IODD3I?ref=sr_ntt_srch_lnk_1&qid=1552745910&sr=8-1 - grifo meu . March 3, 2019. Grifos e destaque meus.)
Fiquei muito surpresa ao ler essas últimas linhas sobre a autora e fui até as livrarias citadas acima para conferir e comparar preços do livro e postagem internacional. Foi quando achei a história da Amazon, que pode ser conferida neste link.
O que mais gostei ao ler sobre, recompensando minha decepção pela fidelidade que tinha ao site, foi a capacidade de organização e a coragem de exposição das livrarias locais para combaterem a injustiça e concorrência desleal da Amazon. Para impedir o monopólio e abrangência gigantes da multinacional, as livrarias locais e seus proprietários formaram uma rede com informes e ações que permitem aos consumidores terem acesso as ações da Amazon contra o desenvolvimento de direitos básicos como saúde, emprego e educação para a população das comunidades locais.
Ou seja, a Associação Americana de Vendedores de livros empreendeu uma luta declarada à Amazon, publicando seus desserviços à população consumidora, o que conquistou a atenção e apoio até de escritores, no caso, Rebecca Solnit, divulgado no próprio site da Amazon. Isso é muito significativo e importante em um sistema que se diz democrático.
A minha decepção inicial em saber sobre a escravização da mão-de-obra pela Amazon muitas vezes titubeou, ao pensar no custo benefício e financeiro quanto aos valores dos livros, que, para o meu consumo, são pagos em dólar, ou libras, ou euros, por serem estrangeiros.
Mas depois de ler sobre o impacto do consumo na Amazon, não tem como ficar indiferente a tudo que ele provoca às comunidade locais, às livrarias locais, ao próprio sistema econômico e político mundial - um mercado de monopólio financeiro, que se sustenta com a exploração das pessoas mais pobres em recursos e informação.
Como professora incentivadora da leitura e do acesso ao conhecimento de forma mais democrática, não posso continuar a consumir livros vendidos pela Amazon ainda que sejam mais "baratos" do que nas demais livrarias. A diferença não compensa o alto valor que pagamos para ter um mundo desigual. E depois nos queixamos de violência, criminalidade e "marginais" criminosos que matam, que estupram que violam as regras sociais que constituem uma convivência ética e mínima em conflitos. Como lidamos com os gigantes autorizados a burlar o fisco, a privar pessoas de emprego e tudo o que ele possa lhes render? A propósito, o livro que fui pesquisar de Rebecca Solnit, é Call them by their true names e vou comprá-lo na Saraiva. Espero, que Amazon, como dizia Edgar Allan Poe, no famoso "The raven", "never more".
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